Para o jurista e criminalista, João Santos, a fuga do advogado Amadeu Oliveira e do seu constituinte, Arlindo Teixeira, que estava em prisão domiciliária, pressupõe que houve negligência grosseira por parte das autoridades policiais.
Em declarações à RCV, o jurista e criminalista, João Santos começou por explicar que prisão domiciliária é uma medida judicial para evitar fuga de um condenado e que garante que o mesmo possa cumprir e pena.
“É inexplicável que uma situação dessas possa acontecer, porque pressupõe que houve uma negligência grosseira, por parte das autoridades policiais que têm a obrigação de controlar Arlindo Teixeira, na sua residência e depois, através dos mecanismos de fronteira, impedir que ele saia do país”, afirmou Santos.
O criminalista lembrou ainda que, neste momento, Arlindo Teixeira é um condenado que aguarda o cumprimento da pena devido ao recurso que tem junto do Tribunal Constitucional e estranhou como Teixeira terá tido acesso ao passaporte para poder viajar.
“Aqui se configura no mínimo um crime de evasão por parte de Arlindo Teixeira, pois ele estava em prisão, ainda que domiciliária e também um crime de auxílio de evasão por parte do advogado, Amadeu Oliveira, que como sabemos terá auxiliado o seu constituinte na fuga (…) segundo se conhece com propostas de ultrapassar violentamente a barreira imposta pelas forças policiais”, observou.
Situação de Amadeu Oliveira se regressar a Cabo Verde
Para João Santos, Amadeu Oliveira deverá enfrentar “uma perseguição criminal” quando este regressar ao país, mesmo na qualidade de deputado eleito pela UCID e que, além disso, a sua imagem enquanto advogado e deputado associado a um quadro da fuga de um constituinte é “uma questão no mínimo feia”.
“Quanto à imunidade, não obstante o doutor Amadeu ter sido eleito deputado, ele não tem imunidade em relação às questões que vem acusado no tribunal. A lei diz, de forma clara, que quem é eleito deputado é-lhe assegurada a imunidade. No entanto, é preciso questionar se não haverá vinculado à lei ter um limite, lá onde essa interpretação legal possa conduzir decisões intoleráveis e perversas do ponto de vista”.
“Creio que a imunidade não existe, portanto, ele pode ser perseguido criminalmente, quer pelos factos que ele vem acusado e por este novo facto em que agora aparece como cúmplice. E o cúmplice é punível para o crime tentado”, alertou o criminalista.
Cumplicidade da UCID?
João Santos reiterou que a indicação de Oliveira para as listas dos Democratas Cristãos, nas legislativas foi uma forma de “berlusconização” da política cabo-verdiana.
“Fizeram com a indicação do Amadeu aquilo que o Berlusconi fez ao longo dos anos em Itália”, ou seja, “criar partidos políticos e conseguir eleger-se para fundamentalmente fugir à justiça”.
Neste caso, segundo João Santos, é mais que evidente que a UCID deu “guarida” a Amadeu Oliveira, “primeiro porque o discurso dele é populista, o que o conduziria a obtenção de muitos votos, como se verificou e, por outro lado, a própria UCID é politicamente cúmplice, das manobras que o doutor Amadeu veio fazendo para fugir à justiça. Só não vê que não quer”, concluiu o jurista e criminalista.
C/RCV
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3 Comentários
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Emanuel Barros
29 de Junho, 2021 at 1:33
Ha, uma leitura muito ligeira da parte do Dr. Joao Santos nessa abordagem. Joao Santos olvida de comentar sobre o nao cumprimento do STJ do acordao do TC em que declara que ARLINDO TEIXEIRA actuou em legitima defesa. No ordenamento juridico caboverdiano quem, actua em legitima defesa deve ser protegido pela lei inocentando da parte principal do crime. Ora, o causidico AMADEU OLIVEIRA conhecedor do sistema (ele foi magistrado do ministerio publico) das patifarias da caboverdua da nossa justica nao podia ficar indiferente. Abriu um caso, e certo mas ha que olhar para essa pocilga (e sempre) foi o STJ que nao deu exemplo em nao cumprir uma decisao do TC empolando no quero posso e mando o caso ARLINDO TEIXEIRA.
Devo lembrar ao Dr. Joao Santos de que a UCID e um partido de bem e que nao cola meter esse partido nessa lama judicial que nos envergonha. Antes deveria Joao Santos apontar ao Paicv/Mpd no pantano podre em que se transfoprmou a justica caboverdiana. Mas nao pode e sabe-o bem porque.
O acto de ajudar ARLINDO TEIXEIRA e um acto digno dos DIREITOS HUMANOS.
E dificil o Dr. Joao Santos reconhecer isso. E, sabe-se porque.
Emanuel Barros
29 de Junho, 2021 at 9:24
Qual a razao que pende a direccao de ANacao na publicacao de um comentario a proposito da abordagem ligeira do Dr Joao Santos sobre a fuga de ARLINDO TEIXEIRA???
Josbarbosa
30 de Junho, 2021 at 18:53
Pura manobra de diversao..para branquear a situacao da cva/tacv..porque nao fizeram o mesmo alarido. quando o dito cujo da capital fugui com um tir..? bem esse ja é passado.porque é ex-ministro. e já não vale a pena falar do leite derramado…kkkk fui