Durante um comício, ontem, na ilha do Maio, Francisco Carvalho, candidato do PAICV a primeiro-ministro, não poupou críticas ao Governo liderado pelo MpD e acusou o Executivo liderado por Ulisses Correia e Silva, de bloquear projectos municipais, incluindo obras de asfaltagem na Praia, impedindo o normal funcionamento das câmaras e o desenvolvimento local.
Francisco condenou assim aquilo que diz ser uma “estratégia” para travar o trabalho das autarquias, com o Governo, em conjunto com o Tribunal de Contas, a Procuradoria-Geral da República e inspeções financeiras, a dificultar a execução de projectos municipais.
“Juntaram o Tribunal de Contas, a Procuradoria-Geral da República e as inspeções para atacar a Câmara da Praia e dificultar o trabalho (…)”, acusou, citado pela Inforpress.
Exemplos de obras bloqueadas
Para reforçar as suas acusações frontais, apontou um conjunto de obras, como bloqueio das obras de asfaltagem entre a rotunda da Várzea e a zona do Calu e Ângela, e o impedimento de um empréstimo de 500 mil contos, já aprovado pelo banco BCA, mas travado pelo Tribunal de Contas.
Nesse contexto, voltou a pôr a defender aquilo que tem feito ao longo destes primeiros seis dias de campanha, ou seja, uma governação colaborativa com todas as autarquias, independentemente da cor partidária.
Maio “abandonado” pelo Governo
Contudo, estando no Maio, também aproveitou para acusar o Governo de “abandonar” a ilha nos últimos 10 anos, destacando a precariedade dos transportes e a não concretização de promessas.
Francisco reforçou que o projecto político do PAICV passa pela implementação de um “Cabo Verde Para Todos”, que aposta em medidas concretas, com foco na criação de emprego através do desenvolvimento da agricultura, pesca e criação de animais.
Destacou o potencial da produção de queijo, do Maio, defendendo a criação de condições para industrialização e exportação e criticou a falta de infraestruturas ligadas à pesca, como indústria de processamento, gelo e embarcações de maior porte. Por isso, prometeu investir para responder às necessidades da população, se for eleito.
Francisco acusou ainda o Governo de recorrer ao assistencialismo em período eleitoral, alegando a oferta de apoios para pagamento de propinas com o objectivo de influenciar eleitores.
Cinco partidos e mais de 500 candidatos efectivos
Para as eleições legislativas de 17 de Maio próximo, a campanha eleitoral conta com a participação das três forças políticas com assento parlamentar (MpD, PAICV e UCID), assim como a participação do PP e do PTS, que concorrem em apenas seis círculos eleitorais.
Estão em disputa 72 assentos na Assembleia Nacional, sendo 66 eleitos pelos círculos nacionais e seis pelos círculos da emigração.
Ao todo, são mais de 500 candidatos efectivos em destaque na campanha, que arrancou a 30 de Abril, e decorrerá até às 24 horas do dia 15 de Maio.
C/Inforpress

