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São Vicente, uma ilha em campanha aberta

Por: João A. do Rosário

A semana começou antes de o sol se firmar sobre o Monte Verde. Ainda o dia mal tinha acordado e já São Vicente respirava campanha: carros com altifalantes a aquecer motores, bandeiras a despontar nas varandas, militantes a afinar as últimas palavras de ordem. A ilha entrou definitivamente no ritmo das legislativas de 2026 – um ritmo que não é frenético, mas é constante, pulsante, quase musical, como se Mindelo tivesse encontrado mais um compasso para juntar ao seu repertório.

O MpD, com Paulo Rocha à frente da lista, apresenta um balanço de continuidade e confiança. A narrativa é clara: mostrar obra, defender  resultados, reconhecer falhas e prometer corrigir o que falta fazer. A recepção tem sido marcada por militância visível, sobretudo nas arruadas noturnas, onde a “nação ventoinha” mobiliza estruturas e simpatizantes.  

O PAICV, com João do Carmo a assumir o rosto local, insiste na ideia de mudança e renovação. O balanço que apresenta é o de uma semana de “conversas francas”, sobretudo nos bairros periféricos, onde diz ter encontrado “expectativas altas e paciência curta”. Fala de descentralização, de regionalização, de políticas sociais mais robustas, e de uma juventude que “não quer promessas, quer caminhos”.  

A UCID, agora sob a batuta de João Santos Luís, aposta na transparência e na ética como bandeiras centrais. O balanço que faz é o de uma recepção “calma, mas firme”, sobretudo nos bairros mais pobres da ilha, onde o partido mantém uma base histórica. Os candidatos sublinham que as pessoas pedem clareza, pedem contas, pedem políticas que não se percam em discursos, em resumo, um Estado mais leve, mais próximo e mais fiscalizado. A campanha tem sido discreta, mas constante, e isso, em São Vicente, ainda vale muito.

O PTS, partido fundado por Onésimo Silveira, tem procurado marcar a diferença com um discurso centrado na justiça social, defesa dos trabalhadores e crítica às desigualdades. O seu cabeça de lista em São Vicente é Jailson d’Aguiar. E para o início da campanha nacional veio da Praia a líder do partido, Jónica Brito, para quem o esforço valeu a pena pelo seu simbolismo e por isso o balanço que apresenta é o de uma campanha “de raiz”, feita sobretudo porta a porta, com forte aposta no contacto direto. Este PTS insiste na ideia de que “a mudança começa nos que nunca são ouvidos”. 

Durante o dia, a campanha é feita de visitas porta a porta, encontros com comerciantes, conversas rápidas nas praças e mercados. É um ritmo quase artesanal, de proximidade, onde cada aperto de mão conta. À noite, tudo muda. As arruadas ganham vida, as cores dos partidos iluminam as ruas, e São Vicente transforma-se num palco de energia política. A música, sempre a música, acompanha cada passo. Há quem diga que a campanha na ilha é mais um festival do que uma disputa eleitoral. Talvez seja exagero, mas há algo de verdade: a política aqui tem corpo, tem som, tem movimento.


O pulsar dos bairros: onde a campanha se decide

Se há algo que distingue São Vicente é a forma como cada bairro tem personalidade própria, e isso sente-se na campanha.
Ribeira Bote e Monte Sossego continuam a ser o barómetro social da ilha. Nestes dois bairros, os candidatos encontram sempre discursos directos, sem rodeios. As pessoas querem saber de emprego, de segurança, de oportunidades reais.  

Monte Sossego tem sido palco ainda de arruadas animadas, com música, bandeiras e crianças a correr atrás das caravanas. É um bairro onde a emoção pesa tanto quanto a razão, e onde a presença física dos candidatos ainda faz diferença.

– Fonte Francês e Chã de Alecrim revelam um eleitorado mais atento às propostas económicas e à gestão urbana. Aqui, a conversa é mais técnica, mais exigente, mais crítica.

– Centro da cidade mantém o seu espírito cosmopolita, ou seja, cafés cheios, debates improvisados, opiniões fortes. É o espaço onde a campanha se transforma em crónica viva.

Dia e noite: duas campanhas diferentes

Durante o dia, a campanha é feita de visitas porta a porta, encontros com comerciantes, conversas rápidas nas praças e mercados. É um ritmo quase artesanal, de proximidade, onde cada aperto de mão conta. 

À noite, tudo muda. As arruadas ganham vida, as cores dos partidos iluminam as ruas, e São Vicente transformase num palco de energia política. A música, sempre a música, acompanha cada passo. Há quem diga que a campanha na ilha é mais um festival do que uma disputa eleitoral. Talvez seja exagero, mas há algo de verdade: a política aqui tem corpo, tem som, tem movimento.

Civismo ou tensão? O termómetro da semana

Até agora, a campanha tem sido marcada por civismo. O ambiente é de disputa, sim, mas de disputa democrática, com respeito mútuo e com a consciência de que São Vicente observa tudo, e cobra tudo.

Os candidatos, estes, percorrem a ilha com discursos afinados, mas é o eleitorado que dita o ritmo. E o ritmo, nesta fase, é de expectativa: as pessoas querem ouvir, querem comparar, querem decidir com consciência.

No fundo, São Vicente está a fazer aquilo que sempre fez melhor: transformar cada momento político num exercício de cidadania com alma. 

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