Ulisses Correia e Silva vai colocar o seu lugar de presidente do partido à disposição, apresentando a sua demissão. Esta é a primeira consequência da derrota do MpD nestas eleições legislativas. “Há mais vida para além da política e amanhã mesmo retomo o meu footing”, disse aos jornalistas. Ulisses adiantou que pretende “mudar de vida e deixar a política.”
Depois do coordenador da campanha do MpD, Rui Figueiredo ter já admitido a derrota deste partido nestas eleições legislativas, quando eram cerca da 22h15, foi a vez de Ulisses Correia e Silva, de semblante carregado, mas sereno, se dirigir ao país assumindo a derrota do seu partido já perto da meia noite. Correia e Silva disse já ter felicitado o líder do PAICV, Francisco Carvalho, pela vitória, desejando sucesso na boa governação de Cabo Verde.
O líder do MPD destacou a abstenção mais de 50 %, dizendo que terá de ser “objecto de reflexão a ser feito pelo partido”. Correia e Silva adiantou que o seu partido irá assumir o papel no parlamento como oposição responsável e servir Cabo Verde. “A passagem das pastas será feita com normalidade, para uma transição tranquila e pacífica, mostrando que Cabo Verde é uma democracia madura que respeita as regras entre as instituições.”
Desgaste
Ulisses Correia e Silva recordou os anos já dedicados à política nas várias funções e mostrou-se pronto para abraçar outra vida, daqui para o futuro. Confrontado com um possível desgaste da imagem do MPD no governo, UCS assumiu que estar 10 anos no poder por isso já traz muito desgaste e que o sector dos transportes não foi para si o mais marcante. Havendo vários factores.
“Mas iremos fazer uma avaliação tranquila, sem culpar quem quer que seja, a vida continua, um entra, outro sai, devemos continuar nessa senda; o país precisa de paz e tranquilidade, coesão social sem fanatismo partidário que não conduz à boa convivência”, concluiu.
Questionado quanto aos resultados finais e a possibilidade de ainda haver uma coligação com a UCID, o actual chefe do governo descartou para já qualquer cenário, afirmando que a maioria será sempre do PAICV, independentemente de esta ser relativa ou absoluta, estando apenas por apurar os resultados das Américas.

