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Política

Disputa aberta no MpD para suceder Ulisses: Paulo Veiga, Herménio Fernandes e Orlando Dias na corrida

O anúncio de demissão de Ulisses Correia e Silva da liderança do MpD abriu a corrida pela sucessão no partido. Num momento de transição considerado importante para os “ventoinhas”, vários nomes já foram lançados. Mas, pelas manifestações de apoio nas redes sociais tudo aponta que a disputa será entre Paulo Veiga e Herménio Fernandes. Orlando Dias já manifestou, publicamente, a sua intenção de concorrer ao cargo.

A saída de Ulisses Correia e Silva, que marcou a última década da política nacional, força de imediato o MpD a redefinir a sua estratégia para os próximos embates eleitorais. A estabilidade interna dependerá, em larga escala, da capacidade do partido em realizar uma transição sem fracturas.

De um lado da balança surge Paulo Veiga. Com forte base de apoio da ala “veiguista” e com experiência no xadrez político, Paulo encarna a continuidade institucional com um toque de renovação técnica. O seu perfil moderado confere-lhe a imagem de um candidato capaz de garantir que a máquina partidária, abalada pela derrota nas legislativas, não sofra solavancos durante o processo de transição.

Do outro lado posiciona-se Herménio Fernandes. O autarca traz consigo o peso e a dinâmica do “poder local”, uma força tradicionalmente decisiva nas convenções do MpD. Quando esteve à frente da Associação Nacional de Municípios (ANMCV), Fernandes ganhou projeção nacional e consolidou uma forte rede de influências junto dos das autarquias, especialmente no interior de Santiago, um dos maiores círculos eleitorais do país. O seu discurso deverá focar-se na descentralização, na proximidade com as bases e na necessidade de injectar uma nova energia no partido.

Analistas políticos apontam que esta disputa interna reflecte duas visões complementares, mas distintas, para o futuro do MpD: a sensibilidade parlamentar e urbana de Veiga contra o pragmatismo territorial e autárquico de Fernandes.

O grande desafio de ambos os candidatos será convencer os militantes de que possuem o carisma e a competência necessários não apenas para liderar o partido, mas para assumir a liderança do país, no futuro.

Orlando Dias se posiciona

Porém, a entrada de Orlando Dias na corrida à liderança do MpD transforma o que parecia ser um duelo polarizado entre Paulo Veiga e Herménio Fernandes numa disputa de três vias, elevando significativamente a fasquia do debate interno.

Conhecido pelo seu perfil crítico e contundente, o deputado eleito pelo círculo da África e histórico do partido não é um estreante nestas andanças — tendo desafiado Ulisses Correia e Silva nas internas de 2023. Dias posiciona-se mais uma vez como a voz da ruptura com a actual linha liderança, personificando a ala que exige um “resgate” ideológico e uma democratização profunda das estruturas do partido.

Ao contrário de Paulo Veiga e Herménio Fernandes, que tendem a adoptar uma postura de continuidade institucional e estabilidade pós-demissão de Ulisses, Orlando Dias foca a sua mensagem na necessidade de reformas urgentes, apontando o dedo ao desgaste da liderança cessante, especialmente após os sobressaltos eleitorais que o partido enfrentou.

Fernando Elísio Freire joga por fora

Num quadro de normalidade, Fernando Elísio Freire poderia ser o “sucessor natural” por excelência se o partido estivesse a procurar uma transição de continuidade pura e de blindagem institucional.

Como ministro de Estado, da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social — e, acima de tudo, como o braço direito de Ulisses Correia e Silva no partido há uma década —, o seu nome carrega tanto o peso da experiência executiva quanto o rótulo inevitável do establishment.

Numa altura em que o partido digere o impacto dos resultados das legislativas e a consequente demissão de UCS, a figura de Fernando Elísio Freire colaria excessivamente a nova liderança ao ciclo político que se está a tentar encerrar. Para as alas que exigem oxigenação, ele representa a manutenção do status quo. Isto sem esquecer o facto de Freire estar fortemente associado à “operação” de ofertas de cestas básicas e outros estratagemas de compra de votos ocorridos nestas eleições que ditaram a derrota do MpD.

Se Fernando Elísio Freire decidir não avançar formalmente e preferir o papel de “fazedor de pontes”, o seu apoio nos bastidores pode ser considerado um  “activo valioso” e disputado desta corrida. Quem conseguir o aval da ala institucional que lidera dará um passo gigantesco para garantir os votos dos delegados mais alinhados com a herança política de UCS.

Todos os órgãos estão demissionários

Em termos estatutários a XIV Convenção do MpD deveria acontecer neste mês de Maio. Mas, por coincidir com as Legislativas, tinha sido empurrada para uma outra data. Porém, com os maus resultados eleitorais e com o pedido de demissão de UCS, essa reunião magna do partido deverá acontecer dentro de três meses, aproximadamente.

Numa mensagem endereçada aos militantes do partido, logo após o apuramento dos resultados provisórios das eleições legislativas do último domingo, o secretário-geral do MpD, Agostinho Lopes, informou que o “presidente pediu demissão, como é normal e salutar nesses casos, e com isso toda a direcção por ele escolhida (no qual me incluo) está demissionária”.

“Mas não vamos abandonar o posto: vamos organizar a Convenção Ordinária (a ser marcada nos próximos dias), vamos eleger uma nova equipa dirigente a quem entregaremos as rédeas do MpD. Até lá, continuaremos a cumprir as nossas responsabilidades”, garantiu.

Daniel Almeida

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