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Estados Unidos e Irão assinaram memorando para o fim da guerra

O Presidente norte-americano, Donald Trump, em Versalhes, a 17 de Junho de 2026, e o Presidente iraniano Massoud Pezeshkian, numa imagem difundida pelo canal estatal iraniano IRINN. © AFP

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo iraniano, Massoud Pezeshkian, assinaram à distância, na quarta-feira, um memorando de entendimento para acabar com a guerra no Irão. Donald Trump fê-lo durante um jantar com Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes, França. O Irão também confirmou, na quarta-feira, 17, à noite, a assinatura do acordo.

Após mais de três meses de guerra no Médio Oriente, iniciada a 28 de Fevereiro por ataques israelitas e americanos contra o Irão, foi assinado um memorando que estipula o fim imediato da guerra, a diluição do urânio enriquecido, o levantamento das sanções a Teerão e um apoio de 300 mil milhões de dólares para a reconstrução do Irão. O documento fixa em 60 dias o prazo para concluir as negociações sobre o desmantelamento do programa nuclear.

O texto indica que “a República Islâmica do Irão reafirma que não vai adquirir nem desenvolver armas nucleares” e compromete-se a diluir o seu stock de urânio altamente enriquecido — sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica. Em troca, os Estados Unidos comprometem-se a suspender “todos os tipos de sanções” contra o Irão, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, do Conselho de Governadores da AIEA e unilaterais de Washington, num calendário a definir como parte do acordo final.

Por outro lado, Washington prometeu facilitar o estabelecimento de um fundo de 300 mil milhões de dólares para a reconstrução e o desenvolvimento do Irão, caso seja alcançado um acordo final e Teerão também poderá retomar as suas vendas de petróleo assim que o protocolo for assinado.

Reabertura do Estreito de Ormuz

O primeiro-ministro paquistanês, Shebaz Sharif, mediador do conflito, escreveu no X (Ex-Twitter), que o memorando de entendimento “entra em vigor com efeito imediato e, como primeiro passo, a República Islâmica do Irão reabrirá o Estreito de Ormuz sem demora, e os Estados Unidos da América suspenderão imediatamente o bloqueio naval”. Ele também confirmou que será realizada uma cerimónia na sexta-feira na Suíça ” e que aí começam “as discussões técnicas”, com uma duração prevista de 60 dias.

Donald Trump falou em acordo que evitou uma “catástrofe económica” e ameaçou retomar os bombardeamentos se o regime de Teerão não cumprir os termos do acordo.

Após o período de isenção de 60 dias, estipulado no memorando de entendimento com os Estados Unidos para permitir tempo para negociar um texto final, o Irão reiterou a sua intenção de taxar os navios que transitam pelo Estreito de Ormuz.

Numa entrevista transmitida na noite de quarta-feira pela televisão estatal iraniana,  o líder das negociações do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, avisou que o estreito “não regressará à situação pré-guerra”.

Os ataques aéreos israelitas atingiram na quarta-feira o sul do Líbano, incluindo a região de Nabatieh, apesar da inclusão do país no memorando de entendimento que apela à cessação das hostilidades. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, descreveu o acordo entre Teerão e Washington como uma “grande vitória” para o Irão e pediu que fosse “usado” para “expulsar Israel” do território libanês.

Moscovo instou “todas as partes envolvidas no conflito armado, incluindo Israel”, a respeitarem o memorando de entendimento, e Pequim apelou a “todas as partes” para o implementarem “com seriedade”.

C/ RFI

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