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Diáspora cabo-verdiana em sintonia com Cabo Verde e as suas necessidades

Por: Cesar da Silva*

A diáspora cabo-verdiana voltou a demonstrar, nas eleições legislativas de 17 de maio de 2026, que continua em sintonia com Cabo Verde e com as necessidades do seu povo.

Ao longo da nossa história, a diáspora tem estado presente nos momentos mais difíceis e mais importantes da vida nacional.

Nas pandemias, nos desastres naturais, nas tempestades, na assistência às evacuações de doentes para o exterior, nos apoios bilaterais e até mesmo nos processos eleitorais locais e nacionais, a diáspora cabo-verdiana tem mostrado um compromisso permanente com a sua terra de origem.

Isso ficou mais uma vez comprovado no dia 17 de maio. Durante grande parte da noite eleitoral, os resultados apontavam para um determinado cenário político. No entanto, quando chegaram os resultados da votação nos Estados Unidos da América, o panorama alterou-se significativamente, contribuindo para uma vitória mais expressiva do PAICV. Aí está o peso da diáspora.

E não foi a primeira vez que a diáspora teve um papel decisivo na história eleitoral de Cabo Verde. Em 2006, os votos da diáspora, particularmente nos Estados Unidos da América, tiveram um impacto importante na eleição do Presidente da República, Comandante Pedro Verona Pires.

Estes exemplos demonstram que a diáspora continua a ser uma força relevante no equilíbrio democrático cabo-verdiano.

Por outro lado, muitos cidadãos manifestaram preocupação com a qualidade do processo democrático.

Nas redes sociais surgiram denúncias e relatos de compra de consciências, aproveitamento das dificuldades económicas dos mais vulneráveis e outras práticas que levantam questões sobre o funcionamento da nossa democracia.

A elevada taxa de abstenção, acima dos 50%, merece igualmente uma reflexão profunda por parte de toda a sociedade cabo-verdiana.

Nas pandemias, nos desastres naturais, nas tempestades, na assistência às evacuações de doentes para o exterior, nos apoios bilaterais e até mesmo nos processos eleitorais locais e nacionais, a diáspora cabo-verdiana tem mostrado um compromisso permanente com a sua terra de origem. (…) Mas, olhando para o outro lado da questão, surge uma pergunta legítima: será que a diáspora está a ser devidamente incluída, respeitada e valorizada pelo Estado cabo-verdiano?

Apesar disso, o descontentamento acumulado ao longo dos últimos dez anos de governação revelou-se significativo, tanto dentro como fora de Cabo Verde. Ainda assim, os resultados eleitorais mostraram um equilíbrio considerável em várias ilhas, com diferenças importantes apenas em alguns círculos eleitorais específicos, como Fogo, Santiago Sul e os Estados Unidos da América.

Um dos erros políticos mais evidentes poderá ter sido a subestimação da importância e da capacidade de mobilização da diáspora cabo-verdiana, particularmente nos Estados Unidos. A comunidade emigrada continua a demonstrar independência de pensamento e uma forte consciência cívica, participando ativamente na definição do futuro do país.

Mas, olhando para o outro lado da questão, surge uma pergunta legítima: será que a diáspora está a ser devidamente incluída, respeitada e valorizada pelo Estado cabo-verdiano?

Se a diáspora tem demonstrado, ao longo de décadas, um compromisso inabalável com Cabo Verde, porque é que tão poucos profissionais da diáspora são convidados a integrar governos, instituições públicas e espaços de decisão nacional?

Certamente não será por falta de competência, pois a diáspora cabo-verdiana possui quadros altamente qualificados em praticamente todas as áreas do conhecimento e da atividade profissional.

Por isso, importa questionar: quando falamos de “Um Cabo Verde para Todos”, estamos realmente a incluir a diáspora nesse projeto nacional?

A diáspora continuará em sintonia com Cabo Verde. Continuará a apoiar, a participar e a contribuir para o desenvolvimento do país. Mas também continuará a exigir reconhecimento, inclusão e oportunidades para colocar as suas competências ao serviço da Nação.

Porque Cabo Verde é maior do que as suas ilhas. Cabo Verde vive onde existir um cabo-verdiano comprometido com o progresso da sua terra e do seu povo.

10-06-2026 

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