A vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Gâmbia (GCCI), admitiu Quinta-feira, 20 de Agosto, a possibilidade de agricultores cabo-verdianos utilizarem a Gâmbia como base de produção agrícola que pode ser exportada para a Cabo Verde, particularmente para fornecer directamente hotéis e outros operadores turísticos. Fatou Jallow defendeu que a agricultura pode ser uma das áreas prioritárias da cooperação entre Gâmbia e Cabo Verde.
Fatou Jallow, que se encontra em Cabo Verde no quadro de uma missão para partilha de experiências e identificação de oportunidades de cooperação e negócios, argumentou que a Gâmbia possui “água, terra e chuva”, que podem favorecer a criação de explorações agrícolas com vantagens na redução de custos e tempo de transporte e garantia de maior regularidade no fornecimento de produtos agrícolas ao mercado cabo-verdiano.
Durante um encontro, realizado na sede da Associação Comercial, Agrícola, Industrial e de Serviços de Santiago (ACAISA), que reuniu empresários e agricultores da região Santiago Norte e a delegação da GCCI, Fatou Jallow apontou ainda experiências de digitalização do sector agrícola, através de plataformas que ligam produtores a hotéis, restaurantes e supermercados, permitindo aos agricultores divulgar a produção e encontrar compradores, além de sistemas de pagamento digital e plataformas de formação.
Novas possibilidades para empresários agrícolas cabo-verdianos
O presidente da ACAISA, Felisberto Veiga, considera que as potencialidades da Gâmbia, nomeadamente a disponibilidade de terra e água, podem abrir novas possibilidades aos empresários agrícolas cabo-verdianos, advertindo que essas oportunidades não vão significar a substituição da produção nacional.
“Não vai ser a substituição da nossa agricultura, mas uma complementaridade”, afirmou, defendendo que empresários de Santiago possam estabelecer parcerias na Gâmbia, produzir naquele país e abastecer o mercado cabo-verdiano.
Para Felisberto Veiga, a cooperação com a Gâmbia poderá ajudar a ultrapassar constrangimentos que condicionam a agricultura nacional, sobretudo a escassez de água e de terras cultiváveis e os elevados custos de produção, que afectam a competitividade do sector.
Intercâmbios entre produtores de Cabo Verde e Gâmbia
A necessidade de maior aproximação entre agricultores, Governo e parceiros estratégicos, foi também abordada durante o encontro realizado na sede da ACAISA e a delegação da GCCI liderada por Fatou Jallow. Nesse sentido, os participantes defenderam a realização de intercâmbios e deslocações de produtores cabo-verdianos à Gâmbia para conhecerem as práticas agrícolas e os mecanismos de apoio existentes naquele país da África Ocidental.
A missão empresarial e de estudo institucional da Câmara de Comércio e Indústria da Gâmbia (GCCI) a Cabo Verde visa, reforçar os laços entre os dois países e criar bases para futuras parcerias, negócios e iniciativas conjuntas nos diferentes sectores do sector privado, com particular atenção à agricultura.
No âmbito desta visita a Cabo Verde, a Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) e a Câmara de Comércio e Indústria da Gâmbia (GCCI) formalizaram um Memorando de Entendimento com o objetivo de fortalecer as relações económicas, promover o comércio e investimento e criar novas oportunidades de cooperação entre Cabo Verde e a Gâmbia.
A CCS considera que esse memorando é um “passo importante para aproximar empresas, fomentar parcerias e impulsionar o sector privado dos dois países”.
C/INFORPRESS

