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Política

Eleições presidenciais: MpD deve endossar apoio à Joana Rosa

A disputa interna no MpD para a escolha do candidato às eleições presidenciais parece estar a entrar na sua fase de consolidação, com a realização da reunião da Direcção Nacional, sábado, 29, que deverá endossar o seu apoio a um dos três pré-candidatos na liça. Joana Rosa parece estar melhor posicionada, mas há quem entenda que essa decisão deveria ser tomada pelos novos órgãos do partido que sairão das eleições directas de 06 de Setembro.  

Após semanas de consultas, leituras de sondagens e hesitações tácticas entre os vários pretendentes, a antiga ministra da Justiça e deputada, Joana Rosa, afirma-se como o nome com maior peso institucional e apelo transversal para liderar as aspirações do partido na corrida ao Palácio do Platô.

Com a desistência recente de Janine Lélis — que alegou a necessidade de evitar maiores tensões e divisões no seio do partido —, o leque de opções na ala tradicional ventoinha reduziu-se significativamente, abrindo uma avenida para a afirmação de Joana Rosa. 

A ex-governante, que oficializou a sua disposição em Junho defendendo a necessidade de um Presidente que actue como “moderador do sistema”, reúne atributos que agradam tanto ao núcleo duro da estrutura partidária como a franjas significativas das bases.

Solidez política versus perfis alternativos

A preferência que se desenha em torno de Joana Rosa ganha maior relevância quando confrontada com as outras pré-candidaturas em campo, nomeadamente as de Milton Paiva e Manuel de Pina. 

Joana Rosa apresenta, como grandes activos um currículo de Estado, notoriedade pública consolidada após cinco anos à frente do Ministério da Justiça e vinte anos na Assembleia Nacional, além de uma penetração territorial comprovada nas deslocações às várias ilhas. Adicionalmente, a sua escolha carrega um forte simbolismo histórico, abrindo a perspetiva de Cabo Verde eleger a primeira mulher Chefe de Estado.

Milton Paiva representa a ala de intervenção cívica e de renovação geracional. Embora colha simpatia junto de sectores académicos e de uma juventude urbana desejosa de rotura com a lógica partidária tradicional, o jurista enfrenta naturais dificuldades de enraizamento na estrutura organizativa do MpD.

Manuel de Pina, ancorado numa longa trajectória autárquica em Santiago, antigo presidente da ANMCV, por isso com forte aproximação à realidade dos municípios, o projecta uma candidatura de forte proximidade territorial. No entanto, a sua capacidade de agregar apoios transversais a nível nacional exigida ao cargo continuam a ser vistas com maior reserva pela cúpula partidária.

O desafio de unir o partido

A provável escolha, sábado, de Joana Rosa responde à necessidade pragmática do MpD em apresentar um perfil experiente, com musculatura política testada e capacidade para rivalizar com outras candidaturas. 

Contudo, a confirmação deste endosso colocará à prova a capacidade da futura liderança do partido — a ser formalizada nas diretas de 06 de Setembro — para fechar fileiras e mobilizar de forma unânime a militância. 

Resta saber se o anúncio oficial do apoio conseguirá agregar as correntes divergentes ou se os candidatos preteridos manterão as suas intenções pela via independente, num xadrez político onde cada percentagem de voto será determinante.

Calendário partidário 

Com eleições directas agendadas para 06 de Setembro para a escolha da nova liderança e a posterior renovação dos órgãos directivos, vozes influentes no partido defendem que a escolha do candidato com apoio oficial do MpD deveria ser diferida para os novos órgãos legitimados pelas urnas internas.

De um lado, os defensores da tomada de posição já este sábado argumentam que a actual Direcção Nacional está no pleno uso das suas atribuições estatutárias. “Sob esta perspectiva, protelar a decisão para meados de setembro traria riscos logísticos e políticos consideráveis, encurtando perigosamente a margem de manobra para a montagem da pré-campanha e a recolha de assinaturas exigida por lei”. 

Argumenta-se ainda que o partido precisa de projetar estabilidade e coesão perante o eleitorado, apresentando-se desde já com uma orientação clara.

Por outro lado, o sector crítico aponta para uma questão de legitimidade política e de oportunidade. Para estes militantes, comprometer o partido com um apoio presidencial a poucos dias de uma renovação de mandatos constitui uma precipitação que pode amarrar a futura liderança. 

Defende-se que uma escolha de tal envergadura estratégica ganharia um peso institucional renovado se nascesse do mandato conferido pelas diretas de 06 de Setembro, garantindo maior união e entusiasmo na mobilização das bases.

A reunião deste sábado da DN do MpD surge, assim, como um teste à capacidade de gestão de equilíbrios internos no partido. O desafio passa por encontrar uma solução que evite divisões pré-eleitorais, salvaguardando a unidade do partido num ano de exigências acrescidas.

Seja qual for o desfecho do encontro, a decisão de sábado marcará não apenas os rumos da corrida ao Palácio do Platô, mas também a dinâmica com que o partido chegará às eleições internas. 

Daniel Almeida

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