
Por: Dulcineia Gonçalves
A TAAG-Transportadora Aérea Angolana, anunciou a remota da ligação aérea entre Bom Jesus/NBJ- nome do Aeroporto Internacional recém-inaugurado na província de Icolo e Bengo em Angola – e Cabo Verde. Permitam-me um parêntesis, para parabenizar aos angolanos por tão importante investimento. Um aeroporto de se tirar o chapéu!
Retomando a conversa, que é sobre a ligação aérea: apesar de não se ter, ainda, muitos detalhes, o que percebemos é que a mesma espelha uma estratégia de reforço da relação entre Angola e Cabo Verde.
Sem as burocracias próprias para a aquisição de visto, estando em vigor o acordo de isenção de vistos em passaportes ordinários – desejo que esta ligação magnetize a relação entre os dois países e que assim flua o fluxo entre as nossas fronteiras. Afinal elas, devem ser exactamente isto: pontos de passagem abertos para povos amigos e irmãos, onde quem atravessa encontra sempre acolhimento e carinho.
Esta ligação aérea permitirá sem dúvida diminuir a distância que separa geograficamente os dois países e, quem sabe, potenciar oportunidades económicas – o famoso investimento e comércio – dos dois lados.
Ouso imaginar que esta ligação vai permitir que descendentes da nossa diáspora em Angola, pisem os solos de Cabo Verde, uns pela primeira vez, outros impulsionados por experiência positivas anteriores. Que mais Angolanos, transformem em vivência real a cultura, os sabores e o encanto das ilhas, que sempre povoaram os seus sonhos.
Que os Cabo-verdianos descubram novas rotas que os levarão à Serra da Leba, a Praia do Soba e aos caminhos da Tunda Vala. Que os cabo-verdianos aproveitem para visitar seus familiares e amigos em Angola e melhor perceber aquele refrão: Angola, Angola oh que pov sab!
Esta ligação aérea permitirá sem dúvida diminuir a distância que separa geograficamente os dois países e, quem sabe, potencializar oportunidades económicas – o famoso investimento e comércio – dos dois lados. Relembro que a partir de Luanda, a TAAG nos conecta Guangzhou, a São Paulo, Abidjan ou Cape Town e que dos aeroportos de Cabo Verde há ligações directas para Porto, Lisboa, Paris, Dakar… que potencialidades!!!
Lembrei-me também e, justo agora a fechar, daquele pacto, celebrado em Lisboa, no dia 17 de Julho de 1996 que considerou: “Imperativo, consolidar a realidade cultural nacional e plurinacional que confere identidade própria aos Países de Língua Portuguesa, reflectindo o relacionamento especial existente entre eles e a experiência acumulada em anos de profícua concertação e cooperação”.
Quando falamos da CPLP, é disso que devemos falar: de mobilidade, de proximidade, de mercados e de povos irmão e de visão estratégica.
Luanda, Setembro de 2026

