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Lula da Silva reeleito para o quarto mandato como presidente do Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, foi reeleito, Domingo (25), para o seu quarto mandato como Presidente do Brasil, feito inédito na história brasileira. O candidato do Partido Trabalhista (PT) obteve, na segunda volta das eleições, 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro do Partido Liberal (PL) que afirmou que vai pedir a anulação destas eleições.

Lula da Silva começou o seu discurso de victória na sua sede de campanha agradecendo aos eleitores, destacando a “generosidade da juventude brasileira”.

“Esta eleição foi uma derrota do negacionismo. Foi uma derrota da mentira”, vincou, referindo-se ao adversário Flávio Bolsonaro.

“Cada vez que eu ia num debate eu ficava constrangido. Porque eu já debati com muita gente, já participei em muitas eleições (…) mas eu nunca pensei deparar-me com um representante genuíno do milicialismo desse país”.

“Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto”, acrescentou Lula.

O presidente reeleito defendeu ainda que “o crime do mundo digital tem de ser tratado como crime da vida real” e frisou que não podemos ter empresas que ganham “milhões e milhões e não pagam nenhum imposto neste país e tentando direcionar o resultado eleitoral”.

Flávio Bolsonaro vai pedir anulação das eleições

Já o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, anunciou durante o seu discurso que vai pedir a anulação destas eleições presidenciais devido à prorrogação da votação por duas horas.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi algo, inclusive, inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história – ex-advogado do Lula – (…) muda a regra do jogo no meio do jogo”, criticou.

O filho de Jair Bolsonaro vincou que “às 17h01 o ministro (…), atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil”.

“Eu nunca vou saber se num Estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu”, insistiu.

Por esse motivo, “vamos pedir a anulação dessas eleições”, justificou na sede de campanha, terminando assim o breve discurso.

Derrota da família Bolsonaro 

A victória de Lula da Silva na segunda volta das presidências de Domingo, 25 de Outubro, é vista como uma derrota da família Bolsonaro uma vez que repete o feito de 2022, altura em que tinha derrotado o pai de Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, condenado e preso por participação e liderança na trama golpista de 2022.

Tanto na primeira como na segunda volta das presidenciais brasileiras, os confrontos entre Lula da Silva, líder de esquerda e o filho “01” de Jair Bolsonaro, o senador conservador Flávio Bolsonaro, de 45 anos, foram marcados por trocas de acusações sobre escândalos dos dois lados.

Nas últimas semanas, Lula da Silva vinha alertando que o povo brasileiro teria de fazer uma escolha “entre democracia e soberania e, do outro lado, barbárie, negacionismo e retrocesso”.

No seu terceiro mandato (2022-2026), o “petista” governou com uma base frágil no Congresso Nacional e usou como moeda de troca ministérios e cargos estratégicos, além de fazer negociações via orçamento federal, a partir das emendas parlamentares.

País dividido e com Congresso conservador

Maior nome do Partido dos Trabalhadores (PT), Lula da Silva assumirá o seu quarto mandato com um país dividido pela votação apertada, e com um Congresso conservador, uma vez que o Partido Liberal (PL), de Flávio Bolsonaro, tem a maioria dos assentos no Senado e na Câmara dos Deputados.

Para o futuro, e com os efeitos dos escândalos do Banco Master e da polarização no país, Lula defende uma reforma no Judiciário: mandato para juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro e alteração na forma de indicá-los ao cargo.

O reeleito presidente espera, aprovar, ainda este ano, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública que cria regimes penais mais severos, e reformula as designações das entidades federativas e dos órgãos no combate ao crime organizado.

Nesse sentido, num claro sinal ao campo conservador, Lula também passou a defender a diminuição da responsabilidade penal para menores de 16 anos, mas somente para crimes hediondos.

Conquistas e derrotas de Lula

Entre as conquistas do terceiro mandato de estão a aprovação de Reforma Tributária e a redução da jornada de trabalho semanal, com dois dias de descanso.

Também acumulou derrotas, sendo a maior delas a rejeição do nome indicado ao Supremo Tribunal Federal brasileiro, pelo Senado, um feito inédito em mais de 130 anos.

Ao longo desse mantado, declarou que está a reconstruir o Brasil, após acusar o bolsonarismo de destruir pontes diplomáticas e políticas públicas, além de acusá-lo de negligente pela não regulamentação das “bets” e vício da população nos casinos online.

Apesar de alguma impopularidade entre os grandes empresários do agronegócio, e com a promessa de governar para todos, Lula elevou para valores recorde o Plano Safra, principal programa de financiamento do agronegócio brasileiro.

Programas sociais

O líder de esquerda também lançou vários programas sociais no seu terceiro mandato, como incentivos financeiros para estudantes, renegociação e perdão de dívidas da população e pequenos empresários.

Por elevar os gastos públicos e pelos “pacotes de bondades” foi muito criticado por economistas e analistas do mercado financeiro, que apontam como consequência pressão inflacionária e juros alto.

Diplomacia presidencial

No cenário internacional, o mandato “Lula 3” foi marcado pela retoma da diplomacia presidencial, quando passou a propagar o país em fóruns mundiais e agendas bilaterais com autoridades internacionais dizendo que “O Brasil estava de volta”.

Defensor do multilateralismo, visitou Estados Unidos, China, países da Europa e do Médio Oriente para abrir mercados e estreitar relações diplomáticas, em agendas que ficaram marcadas pelo humor, simpatia e informalidade com que se referia aos seus homólogos.

Crítico dos conflitos liderados por Israel e EUA, também visou o Conselho de Segurança da ONU, que apelidou de ineficiente e omisso.

Lula também colheu derrotas, ao fracassar na tentativa de criar um grupo da paz para acabar com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e fazer declarações polémicas sobre o conflito.

Na relação com os países vizinhos, retomou relações diplomáticas com a Venezuela, encerradas por Bolsonaro, e criou desgaste interno ao defender Nicolás Maduro, que depois criticou o ‘petista’, após o Governo brasileiro pedir transparência nas eleições venezuelanas de 2024.

Relações diplomáticas com Estados Unidos

Com o regresso de Donald Trump à Casa Branca, em 2025, as relações diplomáticas entre Brasília e Washington degradaram-se com as tentativas de interferência do Presidente dos EUA na política interna do Brasil durante o julgamento que levou à condenação de Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

A Casa Branca e o Palácio do Planalto tiveram uma série de embates após Washington sobretaxar produtos brasileiros como forma de retaliação e por os EUA classificarem as duas maiores fações criminosas do Brasil como organizações terroristas.

Com o discurso de defesa da soberania nacional, Lula da Silva e a esquerda brasileira passaram a usar as cores da bandeira do Brasil, como forma de resgatar símbolos “sequestrados pelo bolsonarismo”.

Escândalos no governo Lula

Vários escândalos marcaram o terceiro mandato Lula: um ministro foi demitido por assédio sexual, outro passou a ser investigado pela Polícia Federal por suspeita de corrupção quando deputado federal.

Lula também demitiu um aliado histórico da chefia do Ministério da Previdência Social no âmbito do escândalo dos descontos indevidos de reformados e pensionistas.

Fraude do INSS

A “Fraude do INSS” (Instituto Nacional do Seguro Social), que ocorreu de 2019 a 2024, atingiu a oposição, governantes, políticos de vários partidos, funcionários públicos, lobistas, sindicatos, entidades representativas e bancos.

Embora executivos da sua Administração tenham sido presos, Lula defendeu-se, justificando que “uma quadrilha se instaurou” no órgão federal, e que foi sob o seu governo que o esquema criminoso, que, diz, começou na gestão Jair Bolsonaro, foi descoberto e desmantelado.

Escândalo do Banco Master

Lula também viu o escândalo do Banco Master, liquidado pelo Banco Central brasileiro por fraude no sistema financeiro, não apenas atingir Flávio Bolsonaro e políticos influentes do chamado “Centrão”, mas respingar na imagem de aliados e do seu Governo.

A teia de contactos e relações do então banqueiro Daniel Vorcaro, pivô da crise e atualmente preso, atingiu alguns juízes do STF, com conversas suspeitas e negócios com familiares desses magistrados.

Lula também sofreu desgaste com o facto de o seu filho mais velho, conhecido como Lulinha, ser alvo de três inquéritos da Polícia Federal por suposto tráfico de influência dentro do Governo.

C/INFORPRESS/LUSA/RTP

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