A edição do Semanário A Nação desta quinta-feira, 05 de novembro, avança que a organização criminosa, investigada no âmbito da Operação Shark, tinha planos para recuperar cerca de 200 milhões de euros em dinheiro e uma avultada quantidade de estupefacientes que se encontravam num esconderijo secreto.
De acordo com informações exclusivas do A Nação, Emanuel Marques dos Santos, conhecido por “Neneia”, e que se encontra detido na cadeia de São Martinho, terá, alegadamente, arquitectado um plano de fuga do recluso José Ramos Gomes, também conhecido por “Polícia de Casa Lata”, que teria a missão de resgatar o supracitado “tesouro oculto”.
O plano da organização criminosa teria sido delineado nas semanas que antecederam a emissão do mandado judicial, alegadamente em articulação com a esposa de Neneia, de nome Solangela, igualmente conhecida por “Sú”.
Consta ainda que após cumprir a sua missão de “extrema relevância” para a cúpula da organização, José Ramos Gomes (“Polícia de Casa Lata”), refugiar-se-ia num empreendimento hoteleiro na Cidade Velha, Município de Ribeira Grande de Santiago.
Cinco milhões de escudos para cúmplices na Cadeia Central da Praia
“A missão entregue ao futuro fugitivo era de extrema relevância para a cúpula: resgatar um esconderijo secreto onde o grupo criminoso mantinha guardada uma avultada reserva de estupefacientes e nada menos que duzentos milhões de euros em numerário. Concluída a extracção da fortuna oculta, o evadido deveria refugiar-se num empreendimento hoteleiro na Cidade Velha”, pode-se ler no despacho do Ministério Público.
Para garantir o sucesso da operação, a rede terá mobilizado uma verba preliminar de cinco milhões de escudos cabo-verdianos (cinco mil contos), destinada a remunerar os cúmplices no interior da Cadeia Central da Praia localizada na zona de São Martinho.
Entre os alegadamente envolvidos no esquema estavam o subchefe prisional Claudino Tavares, conhecido por “Dino”, os agentes prisionais Nuno Andrade Varela e Felisberto Sanches Varela, alcunhado “Txuputi”, além de Luís Futida e dos ex-reclusos Eder Semedo (“Burrutxu”) e Erickson Monteiro (“Arroz”).
Segundo o mandado do Ministério Público, a trama foi neutralizada pela Polícia Judiciária no início de Outubro de 2026, quando os inspectores terão interceptado o agente prisional Felisberto Varela a transportar correspondência manuscrita de Neneia directamente para a residência da esposa deste, no bairro da Fazenda, cidade da Praia. A diligência terá sido documentada através de registos fotográficos.
O plano de evasão de José Ramos Gomes (“Polícia de Casa Lata”), integra o processo que levou à emissão de mandados de detenção contra mais de duas dezenas de suspeitos de envolvimento numa organização criminosa transnacional dedicada ao narcotráfico e à lavagem de capitais.
Operação “Shark” da PJ
A Procuradoria-Geral da República (PGR) ordenou a detenção, esta semana, fora de flagrante delito, de mais de duas dezenas de suspeitos implicados numa vasta organização criminosa transnacional dedicada ao narcotráfico e à lavagem de capitais.
O mandado judicial, subscrito pelo procurador Nilton Moniz, expõe um quadro de infiltração sem precedentes em serviços alfandegários, corporações policiais, estabelecimentos prisionais e até no sector da saúde pública.
Os 20 indivíduos detidos na terça-feira, 03, no âmbito de uma operação da Polícia Judiciária (PJ), chegaram ontem , 04, ao tribunal da Praia, por volta das 15h, em três viaturas Hiace, sob forte aparato policial.
Recorde-se que os 20 indivíduos, detidos no quadro da Operação “Shark” da PJ, são suspeitos de tráfico de droga e outros crimes, conforme a polícia científica cabo-verdiana.
Os suspeitos, de acordo com o comunicado da PJ, foram detidos fora de flagrante delito, sendo 17 homens e três mulheres.
Leia a matéria na integra na Edição 1001 do Jornal A Nação, de 05 de Novembro de 2026

