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São Vicente

Hospital Baptista de Sousa garante continuidade da diálise e anuncia reforço de competências médicas

A direcção do Hospital Dr. Baptista de Sousa (HBS), em São Vicente, esclarece que o seu serviço de diálise “encontra-se em pleno funcionamento”, assegurando a continuidade dos tratamentos e acompanhamento dos doentes renais com “elevados padrões de qualidade e segurança”. Em comunicado enviado ao A NAÇÃO, a administração do HBS esclarece que, apesar da ausência da única nefrologista residente, já foram desencadeadas medidas para garantir a estabilidade do serviço.

O esclarecimento do conselho de administração do HBS surge na sequência da publicação, por este jornal, no passado dia 6, de um artigo dando conta que a única médica nefrologista, Suzete Ramos, se encontra fora do país por tempo indeterminado, deixando um vazio clínico que ameaça comprometer o acompanhamento vital de dezenas de pacientes em hemodiálise e em consultas ambulatórias.

Medidas tomadas

 O CA do hospital de São Vicente esclarece que medidas foram tomadas para colmatar o vazio deixado por aquela profissional, uma das quais a deslocação, em Junho, de uma médica ao Centro de Transplante Renal do Hospital de Santo António, no Porto, Portugal, para um estágio de actualização e reforço de competências, autorizado pelo Ministro da Saúde.

A equipa médica que por agora assegura o acompanhamento diário dos pacientes é composta, segundo a mesma fonte, por uma especialista em Medicina Interna, com experiência acumulada desde a implementação da hemodiálise em Cabo Verde em 2008, e por uma médica de Clínica Geral afeta em regime permanente ao Centro de Diálise desde 2019.

O serviço conta ainda com o apoio de outro internista, reforçando a capacidade de resposta clínica. Segundo o mesmo comunicado da direção do HBS, essa estrutura garante o cumprimento rigoroso dos protocolos clínicos e a máxima segurança dos cuidados prestados.

Paralelamente, o Ministério da Saúde e o HBS estão a desenvolver diligências institucionais e contactos de cooperação internacional para mobilizar novos especialistas em Nefrologia, reforçando a sustentabilidade do serviço e a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde.

Falta de políticas

O comunicado reconhece, contudo, que a falta de políticas consistentes de formação e diferenciação de médicos especialistas, ao longo da última década, contribuiu para o atual défice de recursos humanos. A Administração reafirma, porém, o compromisso com a transparência e a qualidade dos cuidados, garantindo que continuará a trabalhar em estreita articulação com o Ministério da Saúde para dar respostas cada vez mais qualificadas às necessidades da população.

O comunicado do HBS, como foi referido, advém do facto de uma notícia publicada por A NAÇÃO, no passado dia 6, intitulada de “Hospital Baptista de Sousa Sem Nefrologista” que, trouxe à luz pública a realidade de um serviço que, embora em funcionamento, enfrenta fragilidades estruturais. A revelação ganha ainda mais peso quando se recorda o testemunho da nefrologista Suzete Ramos, que desde 2013 vinha acompanhando de perto a evolução da especialidade em Cabo Verde.

Essa médica lembra que, ao longo de mais de uma década, o país contou apenas com dois nefrologistas nacionais e uma estrangeira, enquanto as responsabilidades aumentaram sem que chegassem os prometidos recursos humanos.

“Em mais de 10 anos só vimos aumentar responsabilidade e nenhuma ajuda. Ninguém quer saber!”, desabafou, sublinhando que, apesar da abertura de dois centros de diálise no país, um na Praia e outro no Mindelo, e do início dos transplantes renais, nunca foi garantido o reforço de especialistas. Apesar disto, garante que, para ela, tal não serve para se desculpar- -se. “Só está a ausentar-me por motivos exclusivamente familiares”, assevera.

Tempo para reagir

De referir, por último, que para a elaboração do seu artigo, A NAÇÃO procurou obter esclarecimentos junto da direcção do HBS e as respostas que recebeu foram vagas. Aliás, o facto de o nosso artigo ter saído na edição de 6 de Agosto e o comunicado ser do dia 14 confirma o tempo que os responsáveis do segundo mais importante hospital do país levam para reagir num assunto que lhe diz directamente respeito.

João A. do Rosário

Publicado na Edição 990 do Jornal A Nação, de 20 de Agosto de 2026

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