A criminalidade em Angola registou, em 2018, um significativo aumento comparativamente ao ano anterior, com um total de 72 mil 174 crimes, dos quais cinco mil 199 realizados com recurso a arma de fogo, indica um Relatório da Polícia Nacional.
Os dados constam do Relatório de Segurança Pública de 2018, apresentado, segunda-feira, 25, em Luanda (a Capital), pelo porta-voz do Comando-Geral da Polícia Nacional, Orlando Bernardo.
De acordo com as estatísticas, em 2018 foram registados mais 26 mil 301 crimes comuns comparativamente a 2017, mas uma redução relativamente aos crimes económicos, mil 825 (-545).
As províncias de Luanda, Benguela, Bié, Huíla, Huambo e Cuando Cubango lideram, entre as 18 regiões do país, as cifras criminais, representando 62 por cento (%) do total geral.
Da acção policial no ano passado resultou a detenção de 49 mil 453 presumíveis autores de crimes, representando um aumento de mais 13 mil 599 pessoas comparativamente a 2017.
O aumento da criminalidade geral incidiu essencialmente sobre os furtos, com 17 mil 937 casos (+5.981) comparativamente a 2017, as ofensas corporais, com 11 mil 762 (+3.301 do que no ano anterior), os homicídios voluntários, com mil 473 casos (+ 219), e a posse, uso e tráfico de estupefacientes, com dois mil 151 (+ 838).
Em declarações à agência Lusa, o porta-voz do Comando-Geral da Polícia Nacional, Orlando Bernardo, disse que o aumento de crimes por ofensas corporais preocupa as autoridades policiais devido à sua dificuldade de prevenção.
Segundo Orlando Bernardo, o titular da pasta do Interior está “muito preocupado” com esta tipicidade criminal, que ficou comprovada em dezembro do ano passado, período da quadra festiva.
O Relatório indica que do total de 11 mil 762 crimes por ofensas corporais nove mil 842 foram graves, tendo a maioria ocorrido em Luanda, capital de Angola, com três mil 623 (+1.353), seguindo-se as províncias de Benguela, com 1.844 (+1.477), a Huíla, com 989 (+102), o Huambo, com mil 258 (+532), Cuanza Norte, com 593 (-99), Cuando Cubango, com 532 (+34) e o Bié, com 508 (-62).
O documento aponta, igualmente, um aumento dos crimes de violações, com um total de mil 750 casos, representando um aumento em mais 242 comparativamente a 2017, sendo as principais vítimas menores de idade, entre os dois e 17 anos, em que os autores geralmente são familiares ou pessoas próximas.
“Estes crimes ocorreram 454 (+122) na via pública e mil 296 (+120) no interior de residências, estabelecimentos comerciais e outros locais reservados, em circunstâncias que escapam à vigilância policial”, lê-se no Relatório.
Em 2018, a Polícia registou um total de 40 raptos, um aumento de 12 casos comparativamente a 2017, com Luanda a liderar com 20 casos (+13), seguindo-se Huambo, com 11 (+6), Lunda Sul, com três, Benguela, com dois, e Zaire, Moxico, Cuanza Norte e Bié, com um caso cada.
Nesta tipicidade criminal, explica-se no relatório, os criminosos tiveram como “modus operandi” a abordagem em viaturas das vítimas, atuando em grupos de dois a quatro elementos, sob ameaças com arma-de-fogo, anunciando o rapto e levando a vítima de forma coerciva de um ponto para outro, privando-a de liberdade, com um pedido de resgate, principalmente a cidadãos estrangeiros, com realce para os de nacionalidade chinesa.
Na base da criminalidade, no Relatório destaca-se, entre várias causas, a cultura de violência entre jovens, “que assumem comportamentos desviantes, recorrendo a objectos cortantes e contundentes, em qualquer desentendimento entre parceiros de convívio ou mesmo contra membros da própria família, causando lesões graves ou morte em alguns casos”.
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