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Política

Líder da oposição diz que PM de Cabo Verde age como presidente de câmara

A líder do PAICV, o maior partido da oposição cabo-verdiana, acusou hoje o primeiro-ministro de ser o 23.º presidente de câmara municipal do país, por falta de estratégias nacionais e acusando o Governo de apenas fazer marketing.

Em entrevista hoje à agência Lusa, na cidade da Praia, Janira Hopffer Almada, presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, classificou o chefe de Governo, Ulisses Correia e Silva, líder do Movimento para a Democracia (MpD), no poder desde as eleições legislativas de 2016, como um primeiro-ministro que apenas “inaugura obras municipais”.

“O primeiro-ministro deixou de ser presidente da Câmara da Praia [2008 a 2016] mas insiste em continuar a exercer funções como presidente de câmara municipal. Isso é preocupante porque o país tem 22 presidentes de câmara municipais e precisa de um primeiro-ministro. O país está com 23 presidentes de câmara municipais e sem primeiro-ministro”, criticou a líder da oposição.

Precisamente na véspera do anual debate sobre o estado da Nação, que se realiza quarta-feira na Assembleia Nacional, Janira Hopffer Almada criticou os três anos e quatro meses da atual maioria (MpD) em Cabo Verde, perguntando pelas grandes obras estruturantes e projetos nacionais.

“Quando um primeiro-ministro está concentrado nas obras municipais ele não pode pensar na política para a educação, ele não pode desenvolver a política para a habitação, ele não pode dedicar-se à política para os transportes, ele não pode pensar nas respostas para a saúde”, criticou ainda a presidente do PAICV.

“Eu penso que é evidente que este é um Governo de marketing, é um Governo que está mais preocupado em criar a perceção do que em mudar, transformando verdadeiramente a vida dos cabo-verdianos”, apontou a líder da oposição.

Sobre a críticas do atual executivo ao endividamento público no anterior Governo do PAICV (2001 a 2016), que se aproximou dos 130% do Produto Interno Bruto (PIB), Janira Hopffer Almada afirma que essa dívida “está lá”, nas obras de infraestruturação do país, nos aeroportos internacionais ou nas empreitadas de apoio ao mundo rural.

Já sobre o anúncio de Ulisses Correia e Silva, que afirmou que o peso da dívida pública de Cabo Verde desceu dos 127,8% do PIB em 2016 para 122,8% em 2018, durante a atual governação, a líder do PAICV apontou que em valor absoluto a dívida aumentou este ano em 46 mil milhões de escudos (416 milhões de euros), apesar da anunciada queda em proporção da riqueza do país.

“E que investimentos estruturantes é que existem no país neste momento?”, questionou, garantindo que as grandes obras públicas atualmente em curso são “herança do Governo anterior”.

Ainda na perspetiva do debate do estado da Nação, Janira Hopffer Almada destacou que a meta eleitoral do MpD – de crescimento económico de 7% ao ano – já “foi esquecida e engavetada”.

“Porque, efetivamente, passados três anos a média de crescimento é de cerca de 4,7%, isto num contexto mundial extremamente favorável e de reformas estruturantes que foram adotadas na governação anterior”, apontou.

Sobre os indicadores que apontam para um crescimento económico superior a 5% em 2018, garante que é algo que “não está a refletir-se na condição de vida dos cabo-verdianos”, e recorda a taxa de desemprego, que no último ano de governação do PAICV foi de 12,4%, para um crescimento económico, influenciado pela crise internacional, de 1% do PIB.

“Hoje propala-se que o país está a crescer a 5% e a taxa de desemprego está 12,2%. Com uma agravante: Cabo Verde deve ser o único país no mundo em que se anuncia a redução da taxa de desemprego mas o número de desempregados aumenta. Nós temos mais 15.000 desempregados no país. Mais 6.000 em 2017 e mais 9.000 em 2018”, afirmou.

Nas críticas ao executivo, Janira Hopffer Almada foi ainda mais longe, afirmando que é “um Governo que está preocupado em transformar verdadeiramente a vida dos cabo-verdianos não faz publicidade com 100 evacuações [médicas, nas ilhas] que terá feito”.

“Não pode. Primeiro porque está a cumprir a sua função e segundo não é uma meta da qual se deve orgulhar. Eu preferia que tivéssemos atuações do Governo, e medidas, para que nas diversas ilhas fossem trabalhadas respostas para que não tivéssemos que fazer evacuações”, atirou.

Lusa

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