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Opinião

Itinerários de Amilcar Cabral

Por: Filinto Elísio

Amilcar Cabral foi um intelectual de enorme lastro, um dos grande pensadores africanos do século XX, que se impôs como um dos líderes mais bem sucedidos da luta anti-colonial e por teses revolucionárias sobre o humanismo, a cultura e o papel das elites. Tentar compreender Amilcar Cabral, figura de enorme lastro, requer atar todos os elos que se lhe vinculam, tanto do ponto de vista histórico como existencial; requer, à luz da crítica genética como já nos sugeriu António Correia e Silva, e a procura da ‘crítica da razão biográfica’, na linha descrita pelo pensador francês Pierre Bourdieu, com a metáfora do trajeto do metrô, a pressupor o conhecimento da estrutura da rede e as conexões das suas diferentes estações. Conhecer verdadeiramente Cabral, implica ter em conta não apenas a sua obra edita e aquela já significativa sobre a sua figura histórica, nem o revisitar apenas na perspetivas dos estudos pós coloniais para a construção de uma linha hermenêutica, mas também vasculhar muitos outros materiais, tais como correspondência ativa e passiva, ainda inédita, recortes, notas, diários, fotos e postais, diplomas e certificados, documentos que possam servir de fonte informação adicional sobre a sua história de vida. As biografias são histórias de vida e, por conseguinte, rapsódias heterogéneas e podem ser perspetivadas em várias abordagens.  A complexidade do trabalho de Aurora Almada e Santos foi a de reordenar os postais As biografias são histórias de vida e, por conseguinte, rapsódias heterogéneas e podem ser perspetivadas em várias abordagens à contextualização histórica (e segundo relações inteligíveis), assumindo a representação do sujeito (aqui em certo sentido biografado ou autobiografado) no campo da historiografia. Já os textos preambulares de António Guterres, António de Oliveira Martins, Jorge Carlos Fonseca e José Maria Neves tocam diversas facetas exauriveis da leitura dos postais em apreço.

O pêndulo 

Há dias bons e dias maus. O pêndulo, supersticiosamente divinatório, a indicar nas suas oscilações uns dias no horário, outros dias no anti-horário. Há também intenções e gestos, acelerações angulares e momentos de inércia, que me baralham a geringonça. Há ainda uma estranha energia nesse vaivém, um vibrar diferente no tempo e no espaço, quiçá esse puxar o fio à meada da minha vida. E nos dias sim e nos dias não, tudo em mim (do ânimo ao esqueleto) recusa a visão acrítica do mundo. Há uma dialética operante a acontecer…e não posso estar alheio ao que aí vai.

Democracy for All

Cabo Verde ocupa o 33º lugar no “ranking” das democracias, concluiu o Relatório da Democracia de 2018, no âmbito do projeto Variedades da Democracia (V-Dem), que avalia a qualidade da democracia. A posição de Cabo Verde não é má se relacionada com os 201 países avaliados, estando em 1º lugar em África e em 2º lugar na CPLP. Entretanto, não pode ser considerada boa, havendo 32 democracias melhores do que a nossa, considerando termos potencial para o Top Ten. Precisamos melhorar significativamente o nosso score nos domínios da liberdade de expressão (41º lugar) e da liberdade de associação (49º lugar). 

Recaída geral & nos olhos de certos cães 

aguarelas de ternura quase humana, ao doer de Arménio Vieira não falarem e estaciona-se o automóvel nos bordeis da cidade e nos sobejos da mesa farta; hei-la, afeição do perfume antigo e floração que deslumbra as musas do antanho; tudo panegírico na recaída geral e no assobio reles ao gentio que passa, tudo sendo  alucinação das raças e rastreio dos astros; e guarda-se a sete chaves o segredo da arte da palavra, resguarda-se algumas chaves mais a supremacia dos dragões; há revoluções que resistiram aos choques elétricos, aos desaparecimentos e aos fuzilamentos e elas, heróicas que bastassem, sucumbiram-se quase todas à sedução do prometido e à néscia do consumo, seu canto das sereias e sua espada da intolerância; que não se incite ao não combate e que não se faça loas à apatia da parvónia.

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