O Governo quer passar a ser, novamente, o accionista maioritário da TACV/CVA. A garantia foi dada pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, ontem ao jornal da noite da TCV.
Em entrevista online, em directo, UCS admitiu haver “algum incumprimento” da parte da Lofleidir Icelandic, que, como se sabe, detém 51% das acções da companhia, desde Fevereiro de 2019, altura em que o Governo assinou contrato com os islandeses.
Na altura, muitas promessas, que nunca se concretizaram, incluindo uma frota de 11 aviões, a longo prazo, para materializar o Hub no Sal, que nunca chegou a ser efectivamente materializado, tendo, depois, em Março de 2020, a aviação civil sido confrontada com a pandemia da covid-19.
Agora, ainda que sem avançar grandes pormenores, o Chefe do Governo admite que o Governo quer reaver a companhia, ou, pelo menos, o controlo da gestão.
O mesmo disse ainda que o Executivo vai tomar a “melhor decisão”, junto dos islandeses, para o que espera-se que venha a ser a “melhor saída para a companhia”, uma saída “sustentável” e “estável”. O mesmo adiantou ainda a possibilidade de procura de novas parcerias para viabilizar a companhia, em vez dos actuais parceiros islandeses.
Recorde-se que na sexta-feira passada, dia 18, estava previsto um voo de retoma da companhia, ligando Sal a Lisboa, com quatro passageiros a bordo, mas o mesmo acabou por não ser autorizado pela ASA. A administração negou ser uma contenda que tenha a ver com dívidas e falou em falta de “coordenação”.
Histórico
Recentemente, a administração da empresa havia comunicado que de 28 de Junho até 28 de Março de 2022, irá operar quatro voos semanais entre Praia/Sal e Lisboa às sextas e segundas-feiras; um voo semanal para e de Sal/Praia/Boston às terças com regresso às quartas-feiras e um voo semanal para e de Sal/São Vicente/Paris aos sábados com retorno aos domingos.
Segundo fontes do A NAÇÃO, no próximo dia 29 de Junho está previsto um voo Praia-Boston e a 13 de Julho um voo que vai ligar São Vicente a Paris.
A retoma da companhia está a ser seguida de uma série de novas medidas, que se prendem com a reestruturação da empresa, tendo, conforme já anunciamos antes, sido comunicado ao presidente do Sindicato dos pilotos, Paulo Lima, que 40% desses profissionais vão ser despedidos (ou dispensados, como prefere designar a companhia). Apenas nove haviam sido chamados para a retoma, num horizonte de cerca de 48 pilotos.
A medida de “dispensa”, mal-aceite no seio da classe, que fala em “favorecimento” de alguns desses profissionais, deve abranger perto de 18 pilotos, especialmente aqueles que se encontram em idade de pré-reforma e os contratados mais recentemente, antes da pandemia. Não estão abrangidos os pilotos em cargos de chefia.
O Sindicato espera “rigor” no cumprimento da lei. Isto quando a companhia avançou que ia traçar um plano para abranger os pilotos que se enquadram no perfil da pré-reforma. Um processo que não será fácil, tendo em conta que pilotos e administração estão de costas voltadas.
O despedimento dos 40% desses efectivos, alegou a companhia, prende-se com a “redução do volume de negócio provocado pela pandemia da covid-19”, dado que, em “consequência” a companhia “passará a operar com apenas duas aeronaves”.
Contudo, a administração afirma que aproveitou esta paragem “forçada” pela pandemia para se “reorganizar, treinar as suas equipas e implementar um novo sistema de vendas”, entre outras coisas.
De referir que a TACV/CVA esteve parada desde março de 2020, ou seja, mais de um ano, com vários problemas financeiros, com o Governo a ter de injectar mais capital na empresa, através de avales do Estado, para operacionalizar e viabilizar a retoma.
Só este ano, o actual Governo já emitiu avales na ordem dos 550 mil contos, estando previsto injectar mais 30 milhões de euros, até final de Julho próximo.
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