O antigo presidente senegalês é um dos quatro candidatos à sucessão de António Guterres ao posto de secretário-geral das Nações Unidas e teve ontem a sua grande entrevista, nesta corrida, na AG da ONU. No entanto, a tarefa não deverá ser fácil, dado que no seu país são várias as vozes que estão em campanha contra o ex-chefe de Estado, acusado de violação dos direitos humanos, durante os seus dois mandatos. É o caso do director executivo da secção senegalesa da Amnestia Internacional, Seydi Gassama, que lembra que qualquer pretendente ao posto de secretário-geral da ONU deve ter um currículo limpo em matéria de direitos humanos, de forma a poder promover e proteger esses mesmos direitos humanos junto dos Estados-membros da organização.
“Mas se esse currículo é catastrófico, não se vê como poderá ser credível a ponto de defender os direitos humanos junto dos outros Estados, nomeadamente africanos que conhecem o seu passado, e que hoje também violam esses direitos humanos.” Por outro lado, esta candidatura de Macky Sall é vista pela Associação para a Protecção dos Direitos Humanos (APDH), não apenas como um insulto às vítimas do seu regime, mas como uma tentativa de escapar à justiça penal internacional.
Para Mbaye Cissé, presidente da APDH, Macky Sall procura fugir às acusações internas de violação dos direitos humanos e que a sua candidatura não deveria sequer ser aceite pela Assembleia geral da ONU. Segundo os seus opositores, entre 2021 e 2024 mais de 80 pessoas foram mortas entre as quais menores de idade e milhares de feridos, outras obrigadas ao exílio ou torturadas, e mais de 2000 opositores presos arbitrariamente.
Esta semana, apresentaram-se para a entrevista na Assembleia Geral (países-membros e integrantes da sociedade civil fazem perguntas no diálogo interativo), os candidatos Michelle Bachelet e Rafael Mariano Grossi (21) e Rebeca Grynspan e Macky Sall (22). O sucessor ou sucessora de António Guterres toma posse em Janeiro de 2027.

