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Índice Ibrahim 2026: Governação em África regista ligeira melhoria. Cabo Verde ocupa o terceiro lugar do ranking

A governação global em África melhorou durante a década de 2016 a 2025, conforme avança o Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) 2026 que avalia as trajetórias políticas e sociais nos 54 países africanos. No ranking publicado este sábado, 31 de outubro pela Fundação Mo Ibrahim, as Seicheles ocupam a primeira posição, com 78,6 pontos em 100) enquanto que Cabo Verde manteve-se na terceira posição com 70,3 pontos em 100.

O Índice Ibrahim 2026 alerta, no entanto, que o progresso registado no continente africano revela-se desigual e frágil, tendo sido impulsionado exclusivamente por avanços nas oportunidades económicas e no desenvolvimento humano, em forte contraste com a deterioração da segurança e do estado de direito.

Infraestruturas: setor com maior crescimento

O relatório, que avalia as trajetórias políticas e sociais de 54 países africanos, destaca as infraestruturas como o setor com maior crescimento, nomeadamente o registo de melhorias em 52 nações que representam 84% da população do continente. A mesma fonte avança que estes resultados são impulsionados por melhorias significativas na conectividade móvel, bem como no acesso à energia e à Internet.

A saúde e a educação também apresentaram ganhos expressivos. Na saúde registaram melhorias em 34 países (75% da população) enquanto que os progressos na Saúde chegaram a 40 países (87%) da população africana.

Em contrapartida, as categorias de “Segurança e Estado de Direito” e “Participação, Direitos e Inclusão” sofreram retrocessos em 34 e 31 países, respetivamente, afetando a maioria da população africana.

Seicheles na primeira posição

No ranking de 2026, as Seicheles ocupam a primeira posição com a pontuação de 78,6 em 100,0 em Governança Geral, seguida de Maurícias com 75,0 pontos em 100,0. Por sua vez, Cabo Verde, que obteve 70,3 em 100,0, ficou em 3º lugar.

Marrocos entrou para os dez primeiros classificados, substituindo a Tunísia, enquanto Angola e a República do Congo conseguiram sair das dez últimas posições da tabela, lugares agora ocupados pela Líbia e Guiné-Bissau.

Preocupante é a trajetória de quatro dos países mais populosos do continente — Nigéria, República Democrática do Congo, África do Sul e Sudão — que viram a sua governação deteriorar-se ao longo da última década.

 Cabo Verde mantém a terceira posição

Apesar de ter mantido o terceiro lugar, Cabo Verde registou uma trajetória de deterioração crescente, alcançando a pior pontuação do que há uma década e um declínio que acelerou nos últimos cinco anos.

Nesse sentido, o arquipélago integra o grupo de Estados onde tanto a “Segurança e Estado de Direito” como as “Bases para as Oportunidades Económicas” se deterioraram na última década.

No entanto, o país é o segundo melhor do continente nas subcategorias Estado de Direito e Justiça e em Participação e lidera na categoria de Direitos, desempenho que contrasta com a tendência continental, já que quase 80% dos cidadãos africanos vivem em 36 países onde os direitos regrediram na década analisada. A avaliação é também boa no que diz respeito à Igualdade das Mulheres.

Mo Ibrahim elogia resiliência do continente

Mo Ibrahim, presidente da fundação, elogiou a resiliência do continente perante a crise pandémica e as disrupções globais, mas deixou um alerta sobre o atual desequilíbrio governativo.

“Sem progressos na segurança, no estado de direito e na participação cidadã, os avanços económicos e sociais não poderão perdurar e acabarão por enfraquecer.”

Recorde-se que a governação geral abordada pelo Índice Ibrahim agrega pontuações de quatro dimensões principais (Segurança e Estado de Direito; Participação, Direitos e Inclusão; Bases para as Oportunidades Económicas; e Desenvolvimento Humano), abrangendo 16 subcategorias e 96 indicadores, construídos a partir de dados provenientes de 51 fontes.

A Fundação Mo Ibrahim, homónima do milionário sudanês que a criou em 2006, apoia a boa governação e a liderança em África e elabora anualmente desde 2007 o Índice Ibrahim, que visa informar e ajudar os cidadãos, sociedade civil, parlamentos e governos a medir o progresso.

Daniel Almeida

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