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Política

São Vicente: Contas de Gerência de 2025 submetidas ao escrutínio da Assembleia Municipal

A manhã desta quarta-feira, 10, promete ser tudo menos tranquila em São Vicente. Os munícipes, cansados de estradas esburacadas, esgotos ao céu aberto, danos da tempestade Erin ainda por reparar, e uma gestão autárquica que consideram não responder às necessidades da ilha, apesar dos esforços que a edilidade diz estar a fazer, terão finalmente a oportunidade de confrontar directamente o Executivo camarário liderado por Augusto Neves.

As Contas de Gerência de 2025 da Câmara Municipal vão ser submetidas ao escrutínio da Assembleia Municipal, num exercício que, segundo o órgão deliberativo, está juridicamente sustentado no Estatuto dos Municípios e nos regimentos aplicáveis.

Mas o que poderia ser um acto administrativo rotineiro ameaça transformar-se num palco de contestação popular e política.

A discrepância que acende o rastilho

O ponto mais polémico reside na gritante discrepância entre os valores apresentados: o relatório aponta mais de 379 mil contos em despesas de capital, mas o mapa de bens adquiridos identifica apenas cerca de 34 mil contos.

A diferença de valores levanta suspeitas de irregularidades e falta de transparência, alimentando a indignação dos cidadãos que exigem explicações claras e prestação de contas.

PAICV exige auditoria externa

A tensão já vinha a crescer desde Maio, quando os vereadores do PAICV anunciaram a intenção de solicitar uma auditoria independente às contas.

O porta-voz António Duarte “Patcha” denunciou “omissões graves” e “falta de transparência”, sublinhando que as contas foram entregues fora dos prazos legais e que o modelo relativo aos recursos consignados surge “totalmente vazio”, apesar das verbas extraordinárias mobilizadas para reparar os estragos da tempestade Erin.

Munícipes em alerta

A nota da Assembleia Municipal reforça que a participação dos cidadãos é “fundamental para o fortalecimento da democracia local”.

Mas, para muitos são-vicentinos, esta sessão é mais do que um ritual democrático: é a oportunidade de exigir respostas sobre estradas degradadas, fundos de recuperação mal explicados e uma gestão que, na sua percepção, tem falhado em transparência e responsabilidade.

Entretanto, vários munícipes estão expectantes. Entre acusações de irregularidades, exigências de auditoria e reivindicações populares, a sessão da Assembleia Municipal poderá marcar um ponto de viragem na relação entre a autarquia e os cidadãos.

São Vicente aguarda, com expectativa, se o Executivo liderado por Augusto Neves conseguirá dar respostas convincentes ou se a contestação popular ganhará ainda mais força.

João A. do Rosário c/ Inforpress

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